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Conceitos básicos do CFTV IP - Parte 2

Na Parte 1 deste artigo tratamos das principais diferenças do sistema Analógico para o IP e suas vantagens no uso desta tecnologia mais moderna.

Neste artigo vamos tratar do gerenciamento das imagens e conversão de sistemas existentes.

Em sistemas de pequeno porte (até 16 câmeras) pode-se não sentir efetivamente um ganho no gerenciamento das imagens em um primeiro momento. Isto em grande parte se deve a cultura que foi criada com os DVRs de que cada servidor é usado para até X câmeras e ficando dentro desta quantidade precisamos apenas de um DVR para tudo.

No que tange ao gerenciamento e visualização das imagens, a principal vantagem do IP sobre os DVRs é a completa desvinculação entre as funções de gerenciamento e visualização. Um pouco confuso? Vamos a um exemplo prático. Quem já usou um sistema baseado em DVR sabe que a qualidade das imagens só é plena quando monitorando diretamente no DVR, ao se conectar via rede a qualidade e velocidade das imagens cai drasticamente. Da mesma forma as funcionalidades são bastante restritas. Operações como assistir gravações de várias câmeras simultaneamente pode se tornar um processo quase impossível.

Junto com a tecnologia IP chegou um conceito já muito difundido no mundo de TI para diversas aplicações: a operação cliente-servidor. Neste conceito existe o software servidor e os softwares clientes, que podem variar em cada fabricante, mas que mantém a mesma forma de funcionamento.

O software servidor não tem uma interface, ele roda como serviço no equipamento servidor, isto é, em segundo plano. Esta parte da solução tem a responsabilidade por manter a conexão com as câmeras e demais componentes do sistema IP (sim, CFTV IP não é restrito a câmeras, veremos adiante...), realizar as gravações, controlar as câmeras móveis, gerar os alarmes, eventos, etc. Tudo isto acontecendo sem ter necessariamente alguém com uma tela aberta monitorando o processo.

Fica claro que esta é a parte mais importante, é onde o sistema efetivamente está funcionando. Porém existe o restante do funcionamento que é basicamente dividido em duas tarefas: operação e administração do sistema.
Para realizar estas funções se utiliza um software chamado de cliente que se conecta ao servidor. Neste ponto que a grande mudança acontece! Ao se conectar ao servidor, a partir de outro computador, o usuário terá todas as funcionalidades e total qualidade das imagens assim como elas chegam ao servidor. Mais do que isto, pode-se conectar diversos clientes ao mesmo tempo e até mesmo formar uma matriz virtual com inúmeros monitores e estações.

Esta funcionalidade quebra a regra geral dos DVRs que cada equipamento tinha um monitor ligado nele e apenas aquelas X câmeras poderiam ser exibidas nele. No sistema de cliente-servidor do CFTV IP o operador pode montar as telas conforme sua necessidade, colocando qualquer câmera em qualquer posição, não tendo sequer a restrição de quantidade por monitor ou mesmo de monitores por estação, basta que o hardware da estação comporte o nível de processamento.

Imagine que o servidor do CFTV IP pode estar no data center juntamente com os servidores corporativos e a operação em uma sala de monitoramento, separados até mesmo por milhares de quilômetros se necessário. Com esta guinada na tecnologia outro grande avanço essencial se tornou possível. Não mais utilizando placas de captura, o sistema não está mais restrito e cada servidor pode receber tantas câmeras quanto o servidor suportar. Quando se agregam mais câmeras ao sistema, basta adicionar e posicionar na tela desejada, não há sequer a necessidade de mudança na estrutura montada para o monitoramento, a não ser claro que se deseje aumentar o número de monitores.

Deve-se lembrar que quanto mais câmeras um servidor recebe, mais crítica é sua operação e maior o prejuízo à segurança em caso de falha. Tendo isto em mente deve-se sempre tomar cuidados no dimensionamento do servidor e tomar medidas preventivas, como redundância de fonte, redundância de discos, sistemas de no-break, dentre outras que garantam o funcionamento em situações críticas.

O segundo assunto deste artigo é sobre a conversão de sistemas analógicos em IP. Este processo precisa ser avaliado com cautela para se confirmar se é vantajoso para cada caso.

Existem várias formas de conversão, mas basicamente consiste em colocar equipamentos que recebem o sinal de vídeo analógico e o transforma em vídeo IP. É especialmente indicado quando as câmeras analógicas são de boa qualidade, caso contrário o custo com o equipamento de codificação (encoder) pode ser mais caro que a própria câmera, não justificando a conversão, mas troca por câmeras IPs.

Em especial para câmeras domes onde o custo dos equipamentos é mais elevado, esta opção se torna muito interessante. Embora hoje já tenhamos domes com alta resolução (alguns megapixes até), para muitas operações a resolução standard de uma analógica é suficiente uma vez que se usa o recurso de zoom.

Geralmente este processo é usado quando, dentro de um sistema existente, se deseja ampliar usando tecnologia IP e para não ficar com dois sistemas em paralelo se trás o vídeo analógico para dentro do novo sistema, tornando a operação unificada e em muitos casos centralizada em um único servidor.

Quando se converte uma câmera para IP o transporte do sinal de vídeo passa a ocorrer de forma digital, portanto a imagem chega ao servidor com muito mais definição e livre de ruídos. Porém o encoder não aumenta a resolução da câmera, ainda existe a limitação do sinal analógico na geração da imagem.

No próximo artigo vamos falar de Analíticos de Vídeo e Automação da Segurança por meio de integração de sistemas, não deixe de conferir.

André Colla
Diretor Técnico da K2 Sistemas de Segurança
Certificado em CFTV IP pelos fabricantes Axis e Digifort